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Ginástica: Exercício ou esporte?

Para alguns, a ginástica é uma arte. Para outros, nada mais do que simples exercício físico. E para muitos, ela é simplesmente um esporte para assistir na TV a cada quatro anos, nas Olimpíadas.

Será que dá para chegarmos a um consenso? O fato é que a ginástica é, antes de mais nada, a aplicação da harmonia na movimentação do corpo humano. É daí que vêm todos os seus aspectos secundários.

A ginástica como treino físico, arte e esporte

Pense bem. A ginástica serve como exercício físico porque exige que o corpo se mova em harmonia, sem distensões perigosas, com boa postura, com habilidade. Ou seja, ela requer o desenvolvimento pleno do potencial físico do nosso corpo.

Esta harmonia que o ginasta procura alcançar é também o que faz da ginástica uma arte. Nos movimentos harmônicos vemos a beleza das formas humanas — é algo que nos tira das mesmices do dia a dia, nos faz ver uma realidade à qual geralmente somos alheios. E não é esse o papel da arte?

Como toda harmonia, a harmonia da ginástica pode ser medida. É possível ser mais ou menos harmônico, elegante, ágil e hábil no uso da força muscular. E é justamente este aspecto de medição ou de avaliação que faz da ginástica um esporte competitivo.

esporte

Um pouquinho de história

Já na Grécia Antiga praticava-se a ginástica como parte essencial de todo um modo de vida. A excelência, para os gregos, consistia no pleno desenvolvimento das próprias capacidades mentais e físicas. Para desenvolver o lado intelectual, eles se voltavam para os debates públicos, o estudo da oratória, da retórica, da lógica e da matemática. Para o lado mental, praticavam a ginástica, juntamente com esportes como a corrida e a luta livre.

Com o fim do mundo clássico e o começo da Idade Média, a ginástica desapareceu das práticas físicas na Europa, substituída por esportes como a esgrima e o tiro com o arco. Mas, no final do século 18, após alguns séculos de interesse renovado nas culturas greco-romanas, eis que a ginástica volta ao palco europeu.

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Introduzida primeiro na França, ela logo foi adotada também na Alemanha, onde começou a recuperar sua antiga popularidade.

Passa-se mais algum tempo e agora, no final do século 19, os ginastas já são populares até nos Estados Unidos. São comuns as exibições públicas de feitos de atletismo e já existem competições. Surge a Federação da Ginástica Internacional, em 1881. E em 1896, a ginástica ganha status de esporte olímpico.

A partir daí, adquire cada vez mais popularidade. É introduzida em escolas no mundo todo. Vira o equivalente da nossa atual educação física. 

história

Outros estilos

Aos poucos, vão surgindo estilos independentes, misturando a ginástica a elementos de dança e de calistenia, com coreografias mais complicadas que inclusive incluem outros artefatos — arcos, bastões ou fitas que são adicionados à mistura.

Vejamos alguns dos estilos de ginástica.

Ginástica artística

Mistura de calistenia e ginástica, a ginástica artística envolve artefatos como aros (ou arcos), barras paralelas e bastões. Seus critérios principais são a força e a agilidade que o atleta deve demonstrar ao desempenhar uma série de movimentos concatenados, incluindo saltos e levantamentos do próprio corpo.

A ginástica artística faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1896, e é o estilo mais tradicional de ginástica esportiva.

Ginástica rítmica

Só reconhecida como esporte em 1963, a ginástica rítmica foi incorporada nas Olimpíadas em 1984 e desde então virou uma das modalidades mais assistidas. Isso porque ela é um esporte primariamente visual: mistura de dança com ginástica, seu foco é a harmonia, leveza e elegância dos movimentos.

A ginástica rítmica foi talvez a primeira modalidade a se tornar popular com as mulheres, que a praticam já há mais de século.

Ginástica acrobática

Como o próprio nome já indica, esta modalidade surgiu em conjunto com os circos antigos, e já era praticada mesmo no século 18. Geralmente, envolve equipes que trabalham em pares, trios ou quadras, e permite uma série de combinações: par feminino, par misto, etc.

Aqui, a ênfase é na harmonia entre os vários participantes e no equilíbrio que devem manter ao realizar movimentos como saltos e voos.

Embora não seja ainda esporte olímpico, a ginástica acrobática tem sua própria organização mundial e é o objeto de campeonatos e competições no mundo todo.

Trampolim acrobático

Também esta modalidade é inspirada nas coreografias de circos. Nela, os atletas executam saltos e voos a partir de trampolins — belos movimentos que incluem saltos mortais, saltos duplos, rotações e piruetas. 

O trampolim acrobático é a modalidade olímpica mais recente, tendo sido incluído no rol dos Jogos Olímpicos no ano 2000.

Praticantes da ginástica rítmica

Falamos, a seguir, de três praticantes de renome da ginástica rítmica.

Mila Ponomarenko

Campeã Mundial, Mila Ponomarenko é considerada uma das melhores ginastas rítmicas a virem da Bulgária. O que, diga-se de passagem, não é tarefa fácil, dado que ela realizou isto na época em que a Bulgária dominava sobre o mundo todo na ginástica rítmica. Ela também se tornou medalhista várias vezes em campeonatos mundiais e europeus, treinadora de primeira linha e empreendedora. Isso tudo além de ter realizado uma das histórias de regresso mais notáveis na história da ginástica rítmica. 

O potencial de estrela de Mila Ponomarenko se revelou cedo, quando tinha apenas 14 anos. A vivaz búlgara levou o primeiro lugar na divisão infantil da Copa Intervisão de 1988. Depois disto veio uma moeda de prata na seção geral dos Campeonatos Infantis Europeus. Ela também ganhou medalhas de ouro com corda, arco e bola. 

Nascida na capital, Sofia, Mila virou uma figura sempre presente nos campeonatos dos anos ’90. Tornou-se Campeã Internacional Búlgara, ganhou a Copa Julieta Shishmanova, obteve medalhas no European Gymnastics Masters e levou o segundo lugar nos Jogos da Boa Vontade. Começou a acumular uma coleção de medalhas com aparatos, incluindo dois ouros e cinco pratas. Na Brother Cup de 1991, terminou em quarto lugar na seção geral, passando depois para terceiro na Copa Europeia, onde ganhou ouro com o arco e bola, além de prata com a corda — assim como no European Gymnastics Masters.

Os campeonatos mundiais de 1991 puseram à prova as habilidades de Mila, onde ela teve um desempenho sensacional, batalhando contra Oksana Skaldina e Alexandra Timochenko. Mila se aposentou logo mais e mudou para os Estados Unidos.

Como treinadora de ginástica rítmica, na Flórida, Mila ajudou a treinar várias ginastas para a Equipe Nacional dos EUA. A seguir, abriu seu próprio clube: o Mila’s Rhythmics Gymnastics. 

Em 1999, Mila fez um retorno competitivo — após 8 anos aposentada. Ela competiu no San Francisco Invitational, nos campeonatos nacionais dos EUA, levando a palma. Sua flexibilidade característica e seu estilo fogoso e agressivo ainda eram parte de sua ginástica, e agora ela trazia para sua performance uma qualidade mais despreocupada e amadurecida. Muitos fãs achavam que seria impossível para ela superar sua rotina clássica e inovadora com o arco, de 1990, Blues for Klook, mas sua rotina dramática com a fita em 1999, junto com uma rotina inflamada com a bola, no mesmo ano, certamente puseram em xeque esta teoria.

Desde sua ida aos EUA, em 1993, Mila participou do treinamento de vários membros da Equipe Nacional dos EUA, além das jovens ginastas que treinam em seu clube. Agora, Mila passa a maior parte do tempo praticando, coreografando e treinando suas ginastas. 

jovens ginastas

Lee Trevor

Lee Trevor já apareceu com inúmeras estrelas como Carrie Fisher, Debbie Reynolds, Hans Conried, Bernadette Peters, Robert Preston, Jill Clayburgh, Jane Powell, Patsy Kelly, Jerry Lewis e outros mais. Suas credenciais de Broadway incluem Irene, onde ele trabalhou com Peter Genero e  Sir John Guilgud; Mack and Mable, que foi dirigida e coreografada por Gower Champion; Jumpers, uma peça de Tom Stoppard e a reapresentação de My Fair Lady, de Lerner e Lowe.

Lee recebeu bolsas em artes visuais da Universidade Cristã do Texas, a Universidade Estadual de Jacksonville e o Centro Americano de Balé (a escola do Balé Joffrey), em Nova York. Ele chegou a apresentar com as duas companhias de balé, Joffrey I e II.

Lee também coreografou e dirigiu para vários teatros nos Estados Unidos, incluindo para apresentações como A Chorus Line, Where’s Charley, George M!, Dames at Sea, Annie, Seven Brides for Seven Brothers, Anything Goes, um tour nacional de My Fair Lady e muitos mais. Ele também coreografou vários comerciais nacionais, incluindo o Goof Troop da Pizza Hut. Além disso, fez as coreografias para episódios da série de TV Father Dowling.

Lee dirigiu as Academias de Dança de Lee, em Denver, no Colorado. Ensinou na Universidade de Denver e no Colégio Loretto Heights, além de ensinar, a nível nacional, para organizações como a Dance Masters of America e Dance Educators of America. Residindo atualmente na Flórida, Stan ensina dança e trabalha com ensino de ginástica rítmica, balé e dança.

Lauren Wild

Lauren Wild começou a praticar ginástica rítmica com a World Rhythmics com a idade de 8 anos. Foi a segunda do país com no nível 6, campeã regional no nível 7 e, no nível 9, campeã regional de fita, sendo premiada por melhor rotina com a corda e levando o nono lugar nos campeonatos de nível 9. Lauren se aposentou da ginástica competitiva e começou a ensinar  com aulas recreativas aos 15. Desde então, tornou-se treinadora assistente na World Rhythmics. Ela continua a trabalhar com aulas recreativas e também ensina os níveis mais baixos para a equipe competitiva. Lauren é treinadora já faz 4 anos, e está envolvida na ginástica rítmica há 10.

Conclusão

Como você vê, a ginástica já faz parte do mundo esportivo há bastante tempo, além de ser uma prática que antecede a nossa era atual. Unindo a boa saúde à harmonia e beleza das formas, a ginástica certamente continuará entretendo e fascinando os fãs do esporte em décadas e séculos por vir.

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